No comércio exterior, durante a realização de uma exportação ou importação, uma das etapas mais importantes é o planejamento logístico, visto que tem como objetivo principal garantir que a saída do produto do país de origem chegue cuidadosamente e com segurança ao país de destino, precisando ser um processo pensado detalhadamente para que não gere nenhum tipo de empecilho para o exportador ou importador.
A utilização de contêineres, para o transporte das mercadorias, é crucial para garantir que não ocorra deterioração, de acordo com o produto, podendo ser perecível, congelado, refrigerado e entre outros., e esteja em segurança. Assim, os contêineres, principalmente no transporte marítimo, representam 95%.
Surgimento da pandemia na China
Com o surgimento do coronavírus na cidade de Wuhan, na China, ocorreram problemas relacionados à distribuição de contêineres para o mundo. A escassez dos contêineres foi provocada pela paralisação das atividades mundiais. Com terminais portuários fechados e caminhões parados, houve uma concentração de carga e de equipamentos dentro das nações. E, segundo especialistas em comércio exterior, o período de escassez de contêineres está sendo chamado de “tempestade perfeita”, ou seja, que foi gerada pela pandemia.
Comércio global e o impacto causado pela pandemia
Com o impacto da Covid-19, no território chinês, uma das grandes potências mundiais acabou tendo que limitar a liberação dos seus produtos, assim como todas as nações mundiais. O lockdown que aconteceu entre março e junho fez com que as movimentações paralisassem e os portos tiveram um déficit de mão de obra para a movimentação dos contêineres. Sendo assim, boa parte das empresas não tiveram opção e optaram por deixar seus contêineres parados nos portos, seja porque estavam fechadas e não tinham como receber, ou porque não possuíam recursos financeiros para pagar impostos e nacionalizar.
Entende-se que o efeito da redução da movimentação de mercadorias não impactou somente o setor aéreo, mas também o setor marítimo, a partir da suspensão das linhas deficitárias além de antecipação das docagens obrigatórias – que seria colocar o casco da embarcação em seco para realização de reparos simples ou emergenciais, manutenções, modificações ou quaisquer serviços que exijam a retirada da embarcação da água. Por esta razão, houve a redução da quantidade de navios contêineres em atividade.
Retorno gradativo da China e dos demais países
Desde o mês de julho, foi possível notar um retorno progressivo das atividades econômicas das nações e, principalmente, da China, que foi a primeira afetada. Logo, sua recuperação econômica foi antes de qualquer outro país. Assim, a nação chinesa demonstrou um crescimento discrepante em relação à sua recuperação mundial comparada aos outros países.
Com uma redução da mão de obra no setor portuário e no setor de transporte rodoviário, os contêineres têm prolongado sua saída do porto e também para retornar ao porto vazio. Em certos países, o tempo para a devolução dos contêineres cresceu entre 4/6 dias. É possível notar que vários portos têm sofrido com congestionamento por conta do atraso da movimentação de contêineres. Diversas nações estão enfrentando dificuldades com suas logísticas e com o fato de suas capacidades estarem reduzidas.
Por outro lado, com o número restringido de navios em navegação, os armadores não conseguiram coletar contêineres vazios para fazerem reposicionamento de forma a acompanhar a crescente demanda.
Como ficará o comércio global?
Atualmente, algumas transportadoras marítimas vêm reduzindo o período freetime – que seria o período de tolerância – de contêineres. E o mercado espontaneamente tem se regulado com o aumento de fretes em virtude da falta de contêineres disponíveis, principalmente no mercado asiático.
A partir de uma análise de especialistas, não é possível determinar um período exato de como a situação da falta de contêineres ficará, visto que as novas ondas de lockdowns podem adiar o retorno à normalidade do setor de Transporte Marítimo, impactando diretamente nos valores dos fretes marítimos.
É notório que as empresas estão vendo que a cadeia de suprimentos de cada uma está sendo interrompida pela falta de navios e de contêineres no mercado, provocando oscilações no comércio internacional. Por representar 90% do comércio global, o impacto é um dos mais preocupantes.
Porém, gradativamente, ocorrerá o retorno da reposição dos contêineres e a estabilização dos valores dos fretes. As economias dos países estão se recuperando cada vez mais e gerando menos oscilações. É apenas questão de tempo para que tudo volte à normalidade.

